Depois de ficar internado por mais de 24 horas em observação, o técnico Claudio Tencati recebeu alta na manhã de ontem e está de repouso em casa. O treinador volta as suas atividades normais no comando do Londrina na segunda-feira. Tencati passou mal na madrugada de quinta-feira e foi hospitalizado após sentir dores no peito.
O desgaste e o estresse proporcionado pela profissão não é uma exclusividade do técnico londrinense. Outros profissionais já enfrentaram problemas até mais graves, que em alguns casos resultaram na interrupção da carreira. O último caso foi de Muricy Ramalho, que anunciou que não será mais treinador por causa de complicações cardíacas.
Ricardo Gomes sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico, em 2011, quando dirigia o Vasco. O retorno ao trabalho aconteceu apenas no ano passado. O próprio Londrina já viveu um drama, quando o ex-meia Lívio Vieira comandava o clube, em 2004. Após uma partida contra o Nacional, pelo Campeonato Paranaense, no VGD, o treinador sofreu um AVC e ficou internado por alguns dias. Depois do derrame, Lívio encerrou a carreira de técnico.
“O treinador de futebol trabalha com a incerteza do resultado e isso é muito estressante. Futebol não tem lógica e o técnico está sempre com o cargo e o prestígio por um fio. Quando você une esse estresse com as cobranças da vida moderna, como a pressão do tempo e a área financeira, pode gerar consequências ruins para o coração e o sistema circulatório”, apontou o cardiologista Marco Antonio Fabiani.
Claudio Tencati foi atendido no Hospital do Coração e após a realização de vários exames foram descartadas as hipóteses de doenças cardíacas mais graves, como o infarto. De acordo com o cardiologista que atendeu o treinador, Ederlon Ferreira Nogueira, Tencati teve um espasmo coronário, que também pode ser causado por momentos de forte estresse.
“É um estreitamento da coronária, que em algum momento altera o seu calibre subitamente. Em muitos casos, e foi o do Tencati, ela volta ao estado normal de forma automática. Por isso, quando fizemos o exame, ele já não apresentava mais nenhum sintoma. Pela profissão estressante e pela idade, este tipo de problema não causa surpresa”, explicou.
Segundo o médico, o treinador alviceleste não tem nenhuma doença coronária e pode voltar normalmente ao trabalho. “A orientação é de repouso nestes primeiros dias, além de diminuir as causas do estresse, dormindo melhor e evitando alimentos com cafeína, por exemplo”, recomendou.
Para Fabiani, além de participar de atividades recreativas, que descarreguem o estresse, de lazer e estar mais perto do convívio familiar, os treinadores precisam aprender a lidar com o emocional. “Esses profissionais necessitam treinar as emoções, para que toda a adrenalina e pressão se esgote dentro de campo, no treino e no jogo. Você precisa delimitar um período para este sofrimento e não levá-lo para casa. Claro que isso depende da personalidade e maturidade de cada um. Não é fácil, mas é possível”, aconselhou.
Lucio Flávio Cruz
Reportagem Local

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