O Atlético conseguiu sua primeira vitória fora de casa e alcançou seu segundo triunfo consecutivo no Campeonato Brasileiro na noite deste sábado (11 de junho) no Morumbi. Jogando contra o São Paulo, o time atleticano fez um péssimo primeiro tempo e foi para o intervalo em desvantagem no placar, gol de Maicon. Na segunda etapa, porém, o técnico Paulo Autuori mexeu na escalação e na postura dos jogadores, que buscaram a virada com gols de Otávio e Hernâni: 2 a 1.

Com a vitória em São Paulo, o Atlético chega aos 10 pontos e sobe para a 8ª colocação. Já o São Paulo estaciona nos 10 pontos e permanece no 6º lugar, com vantagem no saldo de gols contra o Furacão (0 contra -3).

Na próxima quarta-feira, o time paranaense encara a Ponte Preta em Campinas, enquanto o São Paulo volta a jogar no Morumbi contra um rubro-negro, desta vez o da Bahia – o Vitória.

O Jogo

Para o duelo contra o São Paulo, clube em que se sagrou campeão da Libertadores e do Mundial, o técnico Paulo Autuori contou com quase todo o elenco à disposição. Os únicos desfalques eram os zagueiros Paulo André e Cleberson, lesionados. Já no São Paulo, embora Edgardo Bauza repetisse o 11 vencedor contra o cruzeiro na última rodada, os desfalques eram muitos. Mais precisamente, nove jogadores de fora: Ganso e Rodrigo Caio, na Seleção, Michel Bastos, Wesley, Breno, Carlinhos, Hudson e Mena, lesionados; e o atacante Calleri, que voltaria para este jogo no Morumbi, mas acabou dispensado após saber da morte de um amigo na Argentina.

Taticamente, a postura atleticana foi bem diferente do que de costume. Com Marcos Guilherme e Pablo no meio de campo nos lugares que até então eram de Vinícius e Nikão, o Atlético deveria ganhar mais velocidade para contra-atacar, mas não conseguiu explorar aquela que deveria ser sua característica mais forte pela falta de criatividade, de inteligência na hora de armar as jogadas. O que se viu foram muitas tentativas de ligação direta (“chutões”), com a posse de bola sendo oferecida ao São Paulo (os paulistas ficaram com 69% de posse no 1º tempo).

O setor defensivo atleticano até que fazia uma boa atuação, em especial a dupla de zaga. Por outro lado, o grande número de vezes em que o São Paulo conseguia se aproximar da área atleticana (inclusive levando vantagem nas disputas pelo alto) era, por si só, uma ameaça.

Prova disso foi que o time são-paulino finalizou pouco até abrir o placar, aos 40 minutos – foram seis finalizações durante a primeira etapa (quatro a mais que o Atlético), apenas três antes do cabeceio certeiro de Maicon. Ainda assim, teve outras boas chances para marcar aos 2 minutos – bola no travessão de Maicon, em cobrança de falta -, aos 15 minutos – o ex-atleticano Ytalo desperdiçou ótima oportunidade de frente para o gol – e aos 44 minutos – Weverton defendeu chute a queima roupa de Centurión.

Na volta do intervalo, Ewandro foi para o banco e Nikão entrou. Outra mudança foi na postura do time de Autuori: as linhas de meio de campo e defesa foram adiantadas, na tentativa de pressionar a saída de bola são-paulina.

Aos 10 minutos, o Atlético passou a jogar com a dupla de ataque que muitos acreditam ser a ideal, com Walter e André Lima. E por pouco o São Paulo não matou a partida na sequência: o belo chute de Ytalo parou na trave e, no rebote, Alan Kardec perdeu um gol digno do Inacreditável Futebol Clube. Para os são-paulinos, seria cômico não fosse trágico – o jogador custou 4,5 milhões de euros (R$ 14 milhões na época da negociação, em 2014).

Mostrando que, como diria Arnaldo Antunes, o pulso ainda pulsa, o Atlético respondeu e Walter teve boa chance para marcar aos 16 minutos. Quatro minutos depois, o São Paulo teve mais uma chance para matar, mas a finalização de Kelvin parou na trave direita de Weverton.

A sorte, de fato, estava do lado rubro-negro, e não do tricolor. Aos 20 minutos, Léo fez boa jogada e cruzou para a área. Ninguém da zaga afastou e Otávio apareceu para marcar seu 2º gol na temporada e empatar a partida: 1 a 1. À beira do campo, Edgardo Bauza reclamava: “Eu avisei”. Foi no melhor estilo “quem não faz, toma”.


Logo após o empate atleticano, Autuori desfez a “dupla dos sonhos” atleticana para reforçar o meio de campo com Hernâni no lugar de André Lima. A postura mais corajosa, mais adiantada, porém, foi mantida. Foi vez, então, do São Paulo sentir a ausência de tantos jogadores e mostrar ter poucas peças para reposição e também para tentar mudar o rumo da partida.

Aproveitando o momento, o Atlético chegou ao gol da vitória com um gol que teve os dedos de Autuori: cobrança de escanteio de Nikão e gol de cabeça de Hernâni, dois jogadores que entraram na 2ª etapa.

Se errou ao escalar o 11 inicial, Autuori se redimiu e o Atlético conseguiu se salvar com as acertadas substituições do treinador atleticano, quebrando uma escrita de 30 anos sem vitórias do rubro-negro diante do Tricolor em São Paulo.

FICHA TÉCNICA

São Paulo 1 x 2 Atlético

São Paulo: Denis, Bruno, Diego Lugano, Maicon e Matheus Reis; João Schmidt e Thiago Mendes; Kelvin (Luiz Araújo), Ytalo (Lucas Fernandes) e Centurion; Alan Kardec. Técnico: Edgardo Bauza.
Atlético-PR: Weverton; Léo, Wanderson, Thiago Heleno e Sidcley; Deivid e Otávio; Marcos Guilherme (Walter), Pablo e Ewandro (Nikão); André Lima (Hernâni). Técnico: Paulo Autuori.
Gols: Maicon (40-1º), Otávio (21-2º) e Hernâni (42-2º)
Cartões amarelos: Otávio, Sidcley (A); Bruno (S)
Arbitragem: Anderson Daronco
Público: 12.389 torcedores
Renda: R$ 383.287,00
Local: Estádio Morumbi, sábado (11 de maio) às 21 horas

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